A pressão sobre a gestão do prefeito de Parnaíba, Francisco Emanuel, deve se ampliar ainda mais nos próximos dias. Uma fonte ligada ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) confirmou que ao menos três contratos milionários da Prefeitura permanecem suspensos, aguardando que o gestor entregue a documentação exigida pelos auditores.
O Tribunal prepara novo retorno à sede da Prefeitura já na próxima semana, ampliando uma série de diligências que têm chamado atenção pela gravidade das suspeitas levantadas.
Em uma manhã de terça-feira (11/11), auditores do TCE-PI realizaram uma fiscalização surpresa na Secretaria Municipal de Educação após indícios de irregularidades em um contrato firmado com a empresa Alpha Soluções e Distribuição Ltda, de Fortaleza (CE), responsável pela venda do livro “Diálogo Inter-Religioso”.
A ação se soma à Decisão Monocrática nº 371/2025-GWA, que determinou a suspensão imediata de um contrato baseado nas Atas de Registro de Preços nº 001/2023 e 002/2023, utilizadas pela Secretaria de Educação para serviços gráficos — outro ponto sob investigação.
Na tarde desta última quarta-feira (26/11), uma nova equipe de fiscais retornou a Parnaíba, desta vez diretamente à sede da Prefeitura. O prefeito não foi localizado, pois concedia entrevista a uma emissora de TV local. Ainda assim, os auditores deixaram uma notificação oficial ao gestor.
De acordo com uma fonte do Tribunal, o número de contratos sob suspeita é elevado, e, caso as irregularidades sejam confirmadas, o processo pode culminar em medidas duras — incluindo afastamento ou cassação do prefeito por improbidade administrativa.
Além das investigações em andamento, o TCE-PI apura também uma reunião secreta em um restaurante, supostamente envolvendo os 13 vereadores do município, um deputado estadual e um empresário do Ceará. O encontro, segundo a fonte, acendeu ainda mais o alerta dentro do Tribunal.
Uma fonte interna declarou ao Portal do Águia que nunca havia visto tantos problemas simultâneos envolvendo contratos milionários como os que vêm surgindo na atual gestão. As denúncias chegam ao órgão em ritmo acelerado.
Diante da gravidade das suspeitas, não está descartada a possibilidade de mandados de busca e apreensão, especialmente em contratos que envolvem recursos da educação e da saúde. Quando há verbas federais, o caso passa ao Ministério Público Federal (MPF), que inclusive já teria emitido um alerta ao gestor sobre possíveis desdobramentos judiciais.
Entre as empresas envolvidas nas investigações estão:
Alpha Soluções e Distribuição Ltda, no caso dos livros da Educação;
Singular Serviços em Saúde Ltda, contratada por R$ 1.074.000,00 para fornecimento de próteses dentárias, segundo dados do Mural de Licitações do TCE-PI.
Servidores e secretários citados pelo Tribunal
Diversos membros da administração municipal já foram citados formalmente, incluindo:
Bruna Fontenele de Oliveira, presidente da Comissão Especial de Contratação, que deve se manifestar no Processo nº 012195/2025;
Felipe da Silva Sousa, secretário de Serviços Urbanos e Defesa Civil, citado para apresentar defesa;
Lívia Pereira de Aguiar Loiola, prima do prefeito, citada no Processo nº 012813/2025. Ela acumula dois vínculos públicos:
Enfermeira concursada em Araioses (MA), com carga horária de 40h semanais;
Servidora comissionada da Prefeitura de Parnaíba, com salário de R$ 4.833,33.
Nova diligência já agendada
Com a Prefeitura ainda sem entregar toda a documentação solicitada, o TCE-PI prepara novo deslocamento para o início de dezembro, quando mais auditores deverão retornar ao prédio municipal para avançar nas apurações.
O Portal do Águia continua acompanhando cada passo dessa investigação, que pode se tornar um dos casos mais graves da história recente de Parnaíba.
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