Parnaíba viveu, na manhã do último sábado (17/01), um dos episódios mais polêmicos e explosivos dos últimos anos. O prefeito Francisco Emanuel Cunha de Brito (Progressistas) autorizou a derrubada de um cruzeiro histórico, fincado desde a década de 1970 no meio das pedras da Praia da Pedra do Sal, símbolo de fé, devoção popular e identidade cultural da comunidade local.
A ação, executada por ordem da Superintendência Municipal de Turismo, caiu como uma bomba entre moradores, pescadores e fiéis católicos. O prefeito, que se declara evangélico, aparentemente não esperava a reação imediata e indignada da população católica, que classificou o ato como um ataque direto à fé e à memória religiosa do litoral parnaibano.
O cruzeiro não era apenas uma estrutura física. Durante mais de cinco décadas, representou fé, esperança e proteção espiritual, sendo local de oração, promessas e depósito de ex-votos em agradecimento por graças alcançadas. Para pescadores, era também um marco de proteção divina antes das saídas ao mar.
A repercussão foi imediata. A Igreja Católica emitiu nota oficial de repúdio, classificando a derrubada como uma ação desastrosa, desrespeitosa e ofensiva à fé cristã, reacendendo o debate sobre intolerância religiosa no município.
Juristas e lideranças religiosas apontam que o episódio pode configurar violação à Lei nº 7.716/1989, que trata dos crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia ou religião, além de afrontar a Lei nº 11.635/2017, que institui o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Para críticos, a retirada do cruzeiro ultrapassa o campo administrativo e entra no terreno perigoso do desrespeito institucional à liberdade religiosa.
Diante da pressão popular, o prefeito tentou se desvincular da decisão, atribuindo a responsabilidade ao superintendente de Turismo, Valdecir Galvão, que acabou exonerado do cargo comissionado, em uma manobra vista por muitos como tentativa de “tirar o corpo fora” e conter o desgaste político.
A indignação não arrefeceu. Moradores exigem a reinstalação imediata do cruzeiro no local original, ressaltando que a área é Patrimônio da União (SPU) e que qualquer intervenção deveria ter sido amplamente discutida com a comunidade e órgãos competentes.
O caso segue repercutindo intensamente nas redes sociais, nas ruas e nos bastidores políticos, colocando a gestão municipal no centro de uma crise que envolve fé, identidade cultural e respeito religioso.
CONFIRA A NOTA DA IGREJA
ESPAÇO ABERTO
Este veículo deixa espaço aberto para que o prefeito Francisco Emanuel Cunha de Brito emita nota oficial de esclarecimento à população sobre os fatos aqui relatados.

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