Uma licitação no valor de R$ 6.333.349,97 (Seis milhões, trezentos e trinta e três mil, trezentos e quarenta e nove reais e noventa e sete centavos) está no centro de uma forte polêmica em Cocal, município conhecido como Cocal da Estação. O prefeito Cristiano Brito pretende investir o montante na contratação de uma empresa para implantação de uma usina fotovoltaica um projeto considerado ousado, porém controverso diante da realidade local.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2022, Cocal possui 28.212 habitantes. O valor da licitação chama atenção principalmente quando se divide o investimento pelo número de moradores, evidenciando o peso financeiro da decisão para um município de porte médio e orçamento limitado.
A justificativa oficial é que a usina solar traria economia futura aos cofres públicos, reduzindo gastos com energia elétrica e permitindo a realocação de recursos para áreas essenciais. No entanto, a promessa de economia a longo prazo não tem sido suficiente para conter a desconfiança da população.
Moradores questionam a prioridade do investimento em um momento em que a saúde enfrenta queixas recorrentes sobre estrutura e atendimento, e a educação ainda convive com desafios estruturais. Para muitos, a gestão municipal parece apostar em um projeto de alto custo enquanto problemas mais urgentes aguardam solução.
O edital prevê fornecimento de equipamentos, instalação completa do sistema, execução de obras civis, implantação de subestação aérea e abrigada, além de comissionamento e homologação junto à concessionária. Trata-se de um pacote robusto e caro.
O que tem gerado ainda mais questionamentos é a falta de informações detalhadas e amplamente divulgadas sobre pontos essenciais:
Existe estudo técnico aprofundado que comprove a viabilidade econômica real do projeto?
Onde exatamente será instalada a usina?
Qual o prazo estimado para retorno do investimento?
A economia projetada compensa, de fato, os mais de seis milhões que sairão dos cofres públicos?
Sem respostas claras, o discurso da modernização energética acaba sendo visto por parte da população como uma aposta arriscada com dinheiro público.
A licitação, registrada como Processo Administrativo CE 002/2026, foi publicada em 12 de fevereiro de 2026, com recebimento de propostas previsto para 02 de março de 2026. O procedimento consta no mural do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, o que ampliou a visibilidade do caso.
Segundo informações obtidas pelo Portal do Águia, auditores do órgão estariam analisando o processo com rigor, verificando legalidade, critérios técnicos e possíveis inconsistências. Em casos envolvendo cifras milionárias, qualquer falha pode representar prejuízo significativo ao erário.
Especialistas reconhecem que projetos de energia solar podem gerar economia relevante. Contudo, alertam que planejamento detalhado, estudos transparentes e ampla publicidade dos dados são indispensáveis — especialmente quando o investimento ultrapassa seis milhões de reais em um município de pouco mais de 28 mil habitantes.
Outro lado
A reportagem procurou a Prefeitura de Cocal para esclarecer os critérios técnicos, a projeção real de economia e as razões que justificam a prioridade do investimento neste momento. Até o fechamento desta matéria, não houve posicionamento oficial.
O espaço segue aberto para esclarecimentos.
O Portal do Águia continuará acompanhando o caso


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