Prefeito de Parnaíba entra na mira do TCE por suspeita de uso de recursos da educação para promoção pessoal - Portal do Águia - Portal de Noticias do Piauí

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9 de março de 2026

Prefeito de Parnaíba entra na mira do TCE por suspeita de uso de recursos da educação para promoção pessoal

Uma grave denúncia envolvendo o uso de recursos públicos da educação colocou a gestão do prefeito de Parnaíba, Francisco Emanuel Cunha de Brito (Progressistas), sob investigação do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI).

A conselheira relatora Waltânia Maria Nogueira de Sousa Leal Alvarenga determinou a abertura de auditoria e concedeu medida cautelar após surgirem indícios de irregularidades na aplicação de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB).

A denúncia foi apresentada pelo cidadão João Carlos Guimarães Araújo e aponta possíveis irregularidades na execução de dois empenhos da Secretaria Municipal de Educação que somam R$ 84.065,50, destinados oficialmente à compra de materiais pedagógicos, de expediente e armarinho.

Segundo a denúncia analisada pelo Tribunal de Contas, há fortes indícios de que a compra dos materiais possa ter sido utilizada como base para a produção de material gráfico de promoção pessoal do prefeito para o ano de 2026.

Os recursos foram pagos à empresa Guilherme Alencar de Carvalho – ME, que possui atuação no ramo gráfico.

De acordo com os autos, os empenhos foram emitidos em 8 de dezembro de 2025, já no encerramento do período letivo. A liquidação da despesa ocorreu apenas 11 dias depois, em 19 de dezembro, e o pagamento foi realizado em 24 de dezembro, em pleno recesso administrativo de fim de ano.

Para os técnicos do Tribunal de Contas, o intervalo é considerado atipicamente curto para a entrega, conferência e distribuição de materiais em toda a rede municipal de ensino.

Outro ponto que levantou alerta no Tribunal foi o tipo de material adquirido.

Entre os itens citados estão papéis de alta gramatura e EVA, insumos frequentemente utilizados em produção gráfica, e não necessariamente compatíveis com a demanda escolar no final do ano letivo.

Além disso, o processo menciona notícias veiculadas na imprensa sobre a apreensão de calendários promocionais do prefeito para 2026, que teriam sido transportados em veículo ligado à empresa contratada pela prefeitura.

Essa coincidência reforçou a suspeita de que os materiais adquiridos com recursos da educação poderiam ter sido utilizados para produção de material político ou de promoção pessoal, o que configuraria desvio de finalidade e afronta aos princípios da impessoalidade e moralidade administrativa.

Diante dos indícios, o Tribunal de Contas determinou:

Proibição de novas contratações ou pagamentos à empresa investigada relacionados a materiais gráficos ou pedagógicos semelhantes.


Prazo de 5 dias para que o prefeito apresente toda a documentação que comprove:

entrega dos materiais

notas fiscais

registros de almoxarifado

distribuição para cada escola da rede municipal

Caso a determinação não seja cumprida, os responsáveis poderão sofrer multas pessoais.

A decisão cita como responsáveis pela gestão dos recursos:

Francisco Emanuel Cunha de Brito – Prefeito de Parnaíba

Danilo de Andrade Rêgo – Secretário Municipal de Educação

Nayara de Castro Vieira Silva – Secretária Executiva do FUNDEB e ordenadora de despesas

Todos foram oficialmente citados para apresentar defesa no prazo de 15 dias.

Um dos principais motivos para a concessão da medida cautelar foi o risco de desaparecimento das provas.

Segundo os técnicos do Tribunal, os materiais adquiridos são consumíveis e de fácil ocultação, o que poderia dificultar o rastreamento da destinação real dos produtos.

Por esse motivo, o TCE determinou fiscalização e auditoria específica para verificar se houve desvio de recursos da educação.

O processo segue agora para análise da Diretoria de Fiscalização de Licitações e Contratos do TCE e, posteriormente, para manifestação do Ministério Público de Contas.

Caso as irregularidades sejam confirmadas, os envolvidos poderão responder por dano ao erário, improbidade administrativa e outras sanções legais.

OUTRO LADO

A reportagem informa que o espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos dos citados na matéria.

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