Pela primeira vez em sua história, o município de Ilha Grande do Piauí enfrenta um escândalo de grandes proporções envolvendo suspeitas de corrupção que teriam se iniciado ainda no começo da gestão da prefeita Marina de Oliveira Brito (progresistas), entre os anos de 2021 e 2026.
Investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado do Piauí e pelo Ministério Público Federal revelam o que pode ser um verdadeiro desmantelo administrativo dentro da prefeitura. Dois nomes aparecem como peças centrais nas apurações: o secretário municipal de Saúde, Pedro Raimundo Firme Filho, e o secretário de Administração e Fazenda, Antonio Defrios Ramos Farias.
De acordo com levantamento do Portal do Águia, contratos assinados pelos secretários somam valores milionários e apresentam indícios que levantam questionamentos sobre transparência e legalidade.
Um dos principais casos envolve a empresa Alpha Construtora e Engenharia LTDA, sediada em Timon. O primeiro contrato, de nº 003/2025, foi firmado em 17 de setembro de 2025 por Tony Farias, no valor de R$ 1.888.031,57 (um milhão, oitocentos e oitenta e oito mil, trinta e um reais e cinquenta e sete centavos).
O que chama atenção é que o documento não apresenta de forma clara o prazo de vigência ou a data final de execução uma falha considerada grave em contratos públicos.
Menos de sete meses depois, um aditivo contratual elevou ainda mais o valor. O Contrato Aditivo nº 01.1709/2025 acrescentou 50% ao valor inicial, fazendo o montante saltar para R$ 2.831.830,99 (dois milhões, oitocentos e trinta e um mil, oitocentos e trinta reais e noventa e nove centavos). Novamente, o documento não especifica claramente o prazo final, o que reforça suspeitas sobre possíveis irregularidades.
O caso já está sob investigação do Tribunal de Contas do Estado do Piauí.
Paralelamente às suspeitas de contratos irregulares, a gestão também enfrenta acusações de nepotismo. O Ministério Público do Estado do Piauí emitiu recomendação para a exoneração de familiares da prefeita que ocupam cargos de confiança.
A recomendação foi conduzida pelo promotor Antenor Filgueiras Lobo Neto, que apontou a existência de parentes incluindo companheiros e irmãos de autoridades ocupando funções com subordinação direta, o que fere a legislação.
Segundo o MP, a prática viola princípios constitucionais como moralidade e impessoalidade, além de contrariar a Súmula Vinculante nº 13 do STF, que proíbe a nomeação de parentes até o terceiro grau para cargos comissionados.
Mesmo assim, a prefeita manteve os familiares nos cargos, ignorando a recomendação do órgão ministerial.
Na manhã desta segunda-feira (13), o Portal do Águia obteve a informação de que o Ministério Público já trabalha na preparação de uma ação por improbidade administrativa contra a gestão municipal.
Analistas políticos avaliam que a situação pode se agravar ainda mais, com possibilidade de envolvimento da Polícia Federal e até mesmo desdobramentos judiciais mais severos, incluindo afastamentos e prisões.
A cidade, que foi emancipada em 26 de janeiro de 1994 e nunca havia enfrentado escândalos dessa magnitude, vive hoje um dos momentos mais delicados de sua história.
Especialistas apontam que a permanência dos secretários investigados e a resistência em cumprir recomendações do Ministério Público podem agravar ainda mais a crise política.
Nos bastidores, já se fala em desgaste irreversível da gestão e em possíveis consequências judiciais que podem mudar o rumo da administração municipal.
O Portal do Águia segue acompanhando todos os desdobramentos do caso.
O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos por parte dos citados.
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