A gestão da prefeita de Ilha Grande, Marina de Oliveira Brito (Progresistas), entrou no centro de uma grave polêmica após ignorar uma recomendação oficial do Ministério Público do Estado do Piauí que determinava a exoneração de familiares ocupando cargos de confiança na administração municipal.
A recomendação, publicada no dia 26 de março de 2026, foi clara: todos os parentes nomeados deveriam ser exonerados. No entanto, segundo apuração, a prefeita teria adotado uma medida considerada “seletiva”, retirando apenas familiares de vereadores aliados, enquanto manteve parentes diretos em funções estratégicas dentro da gestão.
Entre os nomes que seguem nos cargos está sua nora, Amanda de Sousa Fontenele, que ocupa a coordenação da Vigilância em Saúde. Outro caso ainda mais sensível envolve seu sobrinho, Antonio Defrisos Ramos Farias, conhecido como Tony Farias, que permanece na estrutura administrativa mesmo sendo alvo de investigações.
Tony Farias já é investigado pelo MP em diversos procedimentos que apuram suspeitas graves, como enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro público e uso indevido de diárias. De acordo com informações obtidas pela reportagem, o Ministério Público acompanha suas movimentações financeiras desde 2020.
Os dados levantados chamam atenção: mesmo ocupando cargo com salário aproximado de R$ 3.797,10 (três mil setecentos e noventa e sete reais e dez centavos), o investigado teria apresentado um crescimento patrimonial considerado incompatível com sua renda.
Fontes sigilosa à investigação apontam a aquisição de diversos bens, como lancha, sítio, imóveis, terrenos, uma revendedora de veículos localizada no bairro Joaz Souza, além de participação em empresa com capital estimado em R$ 1 milhão.
O MP agora busca identificar se parte desse patrimônio estaria registrado em nome de terceiros os chamados “laranjas” e trabalha na comparação entre renda declarada e os bens adquiridos.
Em meio à pressão, a prefeita realizou mudanças consideradas estratégicas. Exonerou o sobrinho advogado Mickael Brito de Farias, mas nomeou em seu lugar a advogada Letícia Lima de Oliveira, que, segundo informações, possui ligação profissional com o mesmo escritório.
A situação levanta suspeitas ainda mais graves: ambos são apontados como possíveis beneficiários de recursos públicos para atuação em processos particulares, incluindo ações envolvendo o próprio Tony Farias.
Um dos casos citados envolve um processo movido contra o jornalista Ernande Souza, do Portal do Águia, onde os advogados que atuam na causa teriam vínculos com a estrutura da prefeitura.
O Ministério Público aguarda o envio oficial da lista de exonerações por parte da prefeita. Após a análise, a tendência é que o órgão ingresse com ação por improbidade administrativa contra Marina de Oliveira Brito, por descumprimento da recomendação.
Fontes apontam que outros familiares ainda permanecem em cargos, incluindo esposo, nora e demais parentes próximos.
Como se não bastasse a pressão estadual, o Ministério Público Federal também abriu investigação no início de abril de 2026. O foco é uma suposta contratação sem licitação de escritório de advocacia com recursos do Fundef.
A portaria foi assinada em 30 de março pelo procurador da República Saulo Linhares da Rocha, ampliando ainda mais o cerco sobre a gestão municipal.
Com múltiplas investigações em andamento, denúncias de nepotismo e suspeitas de irregularidades milionárias, a gestão de Marina Brito enfrenta um dos momentos mais delicados desde o início do mandato.
O caso segue em apuração e pode ter desdobramentos judiciais significativos nos próximos dias.
O Portal do Águia continuará acompanhando o caso de perto.
O espaço permanece aberto para manifestação e esclarecimentos por parte da prefeita e dos citados.

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