A Prefeitura de Buriti dos Lopes voltou ao centro de uma forte polêmica após uma denúncia protocolada no Tribunal de Contas do Estado do Piauí apontar possíveis irregularidades na aplicação de recursos do Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS) e do cofinanciamento federal do SUAS.
A denúncia, acompanhada de pedido de medida cautelar, cita a prefeita Laura Rosa Collins de Oliveira Portela e levanta suspeitas sobre o uso de dinheiro destinado à assistência social para custear despesas consideradas incompatíveis com a finalidade dos recursos públicos.
Segundo a Decisão Monocrática nº 125/2026, assinada pela conselheira Lilian de Almeida Veloso Nunes Martins, foram identificados empenhos relacionados a:
contratação de banda musical;
serviços de maquiagem;
ornamentação e decoração;
aluguel de som automotivo;
aquisição de flores naturais;
confecção de vestidos;
tecidos para fraldas e enxovais;
pagamento de verbas rescisórias;
contratação de autoescola para emissão de CNH.
De acordo com a denúncia apresentada ao tribunal, as despesas teriam sido realizadas com recursos vinculados ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o que pode configurar desvio de finalidade na utilização do dinheiro público.
Os documentos anexados ao processo apontam ainda que os gastos investigados somariam aproximadamente R$ 67,6 mil em despesas consideradas suspeitas.
Um dos pontos que mais chamou atenção no relatório foi a menção ao chamado “Projeto Sonho de Menina”, que teria incluído gastos com vestidos, maquiagem e outros serviços relacionados a eventos.
A denúncia também afirma que recursos do FMAS teriam sido utilizados para custear cargos administrativos, assessoramento jurídico e despesas sem ligação direta com ações socioassistenciais.
Apesar da gravidade das acusações, o TCE-PI decidiu, neste primeiro momento, negar o pedido de medida cautelar que buscava suspender imediatamente pagamentos e contratos investigados.
Na decisão, a relatora afirmou que existem indícios suficientes para abertura de investigação, mas destacou que ainda são necessários mais documentos e esclarecimentos para comprovar eventual dano ao erário.
Mesmo sem conceder a cautelar, o tribunal determinou a citação da prefeita para apresentar defesa e explicações no prazo de 15 dias úteis.
Outro ponto que aumenta a repercussão do caso é que o Ministério Público do Estado do Piauí já instaurou procedimento próprio para investigar possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos no município.
Agora, o caso seguirá sob análise do TCE-PI e poderá resultar em auditoria, inspeção técnica e responsabilização dos envolvidos caso as irregularidades sejam confirmadas.
Até o momento, a prefeita Laura Rosa Collins de Oliveira Portela ainda não se manifestou publicamente sobre o teor da denúncia.
O espaço segue aberto para esclarecimentos da gestão municipal.
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