O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) recebeu uma denúncia envolvendo a contratação de um ônibus utilizado no transporte universitário do município de Ilha Grande, no litoral do estado. O caso levanta questionamentos sobre a origem do veículo, a empresa responsável pelo contrato e possíveis ligações políticas envolvendo a prestação do serviço.
Segundo informações obtidas pela reportagem, o pedido encaminhado ao MPPI solicita investigação para esclarecer quem é o verdadeiro proprietário do ônibus, em nome de quem o veículo está registrado, quem realizou a compra e se o coletivo realmente pertence à empresa contratada pela Prefeitura de Ilha Grande.
A denúncia também pede apuração sobre a forma como ocorreu a contratação do serviço, além de questionar se o processo foi realizado pela Secretaria Municipal de Educação e quais teriam sido as circunstâncias da participação do secretário de Administração e Fazenda do município, Tony Farias, na apresentação oficial do veículo à população.
Outro ponto solicitado é a realização de vistoria técnica no ônibus para verificar se o veículo atende todos os requisitos exigidos para o transporte de estudantes universitários entre Ilha Grande e Parnaíba.
O contrato investigado envolve a ADESÃO Nº 003/2025, firmada no valor de R$ 727.077,00 (setecentos e vinte e sete mil e setenta e sete reais), com vigência de 12 meses, entre os dias 31 de março de 2025 e 31 de março de 2026. O serviço foi contratado junto à empresa FLABIO SILVA DE SOUZA NETO LTDA, sediada na zona rural de Teresina.
O caso ganhou repercussão após uma fonte, sob condição de anonimato, afirmar que o veículo teria ligação com o secretário Tony Farias. Até o momento, no entanto, não há documento público apresentado pela reportagem que comprove eventual propriedade do ônibus por parte do secretário.
Chamou atenção da população o fato de o próprio secretário aparecer em vídeo divulgando a chegada do ônibus ao município. Além disso, a inscrição “Toyn” de Tony foi observada no para-brisa do veículo, próximo ao motorista, aumentando especulações entre moradores e nas redes sociais.
A reportagem também apurou que a empresa contratada já foi alvo de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), órgão vinculado ao Ministério Público do Piauí. Conforme consulta realizada, o procedimento segue em andamento, com última movimentação registrada em 06 de maio de 2026, sob acompanhamento da 1ª Promotoria de Justiça de Teresina.
Durante a investigação jornalística, também foi realizada consulta preliminar referente à placa HSI-0946, registrada em Teresina-PI. O veículo é um ônibus Mercedes-Benz, de cor prata, ano/modelo 2007/2007, com origem no estado do Mato Grosso do Sul. Até o fechamento desta matéria, contudo, não havia confirmação documental definitiva sobre a titularidade oficial do ônibus.
A reportagem reforça que não acusa, neste momento, nem a empresa contratada e nem o secretário Tony Farias de qualquer irregularidade. O objetivo da apuração é esclarecer dúvidas levantadas pela população e garantir transparência sobre a aplicação de recursos públicos no transporte universitário do município.
Nossa equipe continuará acompanhando o caso e buscará posicionamento oficial da Prefeitura de Ilha Grande, da empresa contratada e do secretário citado na denúncia.
O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos das partes envolvidas.
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