Júnior da Noelia já havia sido alvo de outra ocorrência policial, em episódio no qual um homem o acusou de agressão, ameaça e dano
O vereador e empresário de Bom Princípio do Piauí, José Carlos Machado Pereira Júnior, conhecido como “Júnior da Noelia” (PSB), voltou a ser citado em uma ocorrência policial em Parnaíba. Desta vez, o parlamentar foi apontado em um boletim de ocorrência relacionado à negociação de um veículo que, segundo o comprador, apresentaria uma restrição.
O novo episódio foi registrado no dia 29 de agosto de 2026, na 2ª Seccional de Parnaíba – 2ª Delegacia Especializada em Crimes Contra o Patrimônio, sob responsabilidade do delegado Igor Rocha Gadelha.
No BO nº 00217822/2026, o vereador aparece qualificado como “suposto autor/infrator”, enquanto José Francisco Junio de Meneses Silva figura como comunicante e vítima.
Comprador afirma ter pago R$ 97,5 mil
Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, José Francisco teria adquirido um veículo em uma revendedora localizada em Parnaíba, ligada ao vereador.
Ainda conforme o relato registrado, a negociação teria envolvido um sinal de R$ 20 mil, seguido de pagamentos de R$ 50 mil e R$ 27.500,00 por PIX, totalizando R$ 97.500,00.
Após receber o automóvel, o comprador afirma ter descoberto que o veículo possuía uma restrição que, segundo ele, não era de seu conhecimento no momento da negociação.
Diante da situação, José Francisco teria procurado o vendedor para tentar desfazer o negócio e devolver o veículo.
PIX de R$ 52 mil teria sido posteriormente contestado
Durante a tentativa de desfazer a negociação, segundo o relato apresentado pelo comprador, teria sido acordada uma devolução de R$ 52 mil.
José Francisco afirma que deixou o local e, minutos depois, já em sua residência, recebeu uma notificação em seu celular informando que os R$ 52 mil haviam retornado para a conta do vereador.
O comprador teria então retornado ao endereço para questionar o motivo pelo qual o valor havia sido devolvido ou estornado. Segundo sua versão, houve uma discussão no local.
A situação teria provocado o acionamento de uma equipe do 27º Batalhão da Polícia Militar.
Também surgiram, segundo relatos de populares, informações de que o vereador estaria portando uma arma de fogo durante o episódio. Essa circunstância, contudo, deverá ser esclarecida pelas autoridades e não deve ser tratada como fato comprovado sem confirmação oficial.
Inicialmente, a reportagem recebeu a informação de que o vereador estaria sendo conduzido à Central de Flagrantes. Posteriormente, porém, foi informado que ele não seria conduzido, enquanto José Francisco teria sido orientado a registrar a ocorrência na Polícia Civil.
Não é a primeira ocorrência envolvendo o vereador
O episódio mais recente chama atenção também porque não seria a primeira vez que José Carlos Machado Pereira Júnior é citado em uma ocorrência policial em Parnaíba.
Em outro caso, ocorrido anteriormente, o vereador, que também é empresário do setor de locação e comércio de veículos, foi alvo de uma ocorrência após um homem identificado como Creorube Teixeira da Silva Júnior afirmar à Polícia que teria sido agredido e ameaçado pelo parlamentar.
O episódio teria ocorrido dentro da locadora de veículos de propriedade do vereador, localizada na BR-402, no bairro Dirceu, em Parnaíba.
Na ocasião, a vítima relatou à Polícia que teria sido atacada e intimidada durante uma discussão no estabelecimento. Também afirmou que o vereador teria danificado e levado seu aparelho celular.
A ocorrência foi registrada na época por supostos crimes de ameaça e dano, ficando a investigação sob responsabilidade do delegado Ayslan Magalhães de Brito.
Esposa da vítima divulgou imagens nas redes sociais
Após o episódio anterior, Brunnah Carvalho, esposa de Creorube, publicou um vídeo nas redes sociais relatando o ocorrido e mostrando, segundo ela, hematomas que teriam sido provocados pelas agressões.
Na publicação, ela afirmou que o conflito teria começado após um desentendimento comercial envolvendo aluguel e compra de um veículo.
A mulher declarou, em vídeo, que o marido teria sido agredido e que o celular dele teria sido quebrado durante o episódio.
Assim como no caso atual, entretanto, aquelas acusações foram apresentadas pelas partes envolvidas e não devem ser confundidas com uma condenação ou comprovação definitiva de responsabilidade criminal.
Dois episódios distintos envolvendo o parlamentar
Com o novo boletim registrado em agosto de 2026, o vereador passa a ser citado novamente em uma ocorrência policial envolvendo uma negociação de veículo.
Os dois episódios são distintos e possuem circunstâncias diferentes. No primeiro, houve acusação de agressão, ameaça e dano. No caso mais recente, o registro está relacionado a uma negociação de veículo, à existência de uma suposta restrição e à controvérsia envolvendo um PIX de R$ 52 mil.
Caberá à Polícia Civil analisar os documentos, depoimentos, comprovantes de pagamento, situação documental do veículo e demais elementos que possam esclarecer os fatos.
A investigação poderá verificar, entre outros pontos, se a restrição mencionada pelo comprador existia no momento da venda, qual era sua natureza, se houve conhecimento prévio das partes e o que efetivamente ocorreu com a transferência de R$ 52 mil.
Acusação de estelionato ainda precisa ser apurada
Embora o comprador tenha relatado à Polícia fatos que, em tese, podem ser analisados sob a ótica de eventual fraude, não é possível afirmar neste momento que o vereador praticou estelionato.
A existência de um boletim de ocorrência e a qualificação de alguém como “suposto autor/infrator” não equivalem a condenação nem comprovam a prática de um crime.
Qualquer eventual responsabilização dependerá da investigação policial e, se houver elementos suficientes, da atuação do Ministério Público e posteriormente do Poder Judiciário.
O Portal do Águia continuará acompanhando os dois casos e dará espaço para eventuais esclarecimentos apresentados pelo vereador José Carlos Machado Pereira Júnior, pela empresa envolvida e pelas demais partes citadas nas ocorrências.
As informações referentes aos dois episódios são apresentadas com base nos relatos atribuídos às partes e nos registros policiais mencionados, preservando-se o direito de defesa e a presunção de inocência.

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