O ano de 2025 chegou ao fim deixando um marco negativo na história administrativa de Parnaíba. Pela primeira vez, o município encerrou um ano inteiro sem a execução de obras próprias financiadas com recursos do orçamento municipal. Ao longo dos 365 dias, o que se viu foi a paralisação de investimentos estruturantes e a ausência de projetos relevantes conduzidos diretamente pela Prefeitura.
Durante esse período, o prefeito Francisco Emanuel (PP) passou a associar sua imagem administrativa a obras executadas pelo Governo do Estado dentro do município. No entanto, essas intervenções não utilizam recursos próprios da Prefeitura de Parnaíba, o que levantou questionamentos recorrentes da população e da oposição: afinal, onde está sendo aplicada a verba municipal?
Inicialmente, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025 previa um limite de 8% para remanejamento de recursos pelo Executivo. Porém, em julho do mesmo ano, o prefeito solicitou à Câmara Municipal autorização para ampliar esse percentual para até 26%, sem necessidade de aprovação prévia do Legislativo a cada alteração. A mudança foi aprovada por meio do Projeto de Lei nº 40/2025, garantindo ao chefe do Executivo maior liberdade para movimentar o orçamento municipal, estimado em cerca de R$ 1 bilhão.
Após a aprovação, a gestão passou a realizar anulações e remanejamentos de verbas, incluindo recursos destinados às áreas da educação e da saúde, o que intensificou as críticas. Vereadores da oposição apontaram a falta de justificativas técnicas detalhadas para o aumento do percentual de remanejamento e destacaram a inexistência de projetos estruturantes visíveis ao longo de todo o ano de 2025.
A situação se torna ainda mais sensível diante do cenário para 2026. A expectativa é saber se a gestão municipal finalmente apresentará obras financiadas com recursos próprios ou se continuará vinculando sua atuação às obras do Governo do Estado, muitas delas viabilizadas por emendas parlamentares de deputados como Dr. Hélio (MDB), Gracinha Mão Santa (MDB) e Rubens Vieira (PT). Até o momento, grandes obras executadas diretamente com verba do município seguem inexistentes.
Enquanto isso, o Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) tem intensificado investigações envolvendo contratos e licitações da atual gestão, sob suspeita de irregularidades. Diversos processos já resultaram na suspensão de contratos por determinação de auditores do órgão de controle.
Nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, o TCE-PI retoma oficialmente suas atividades após o recesso, o que pode trazer novos desdobramentos e informações relevantes para a população parnaibana. O ano se inicia com questionamentos em aberto e a expectativa de que a gestão municipal apresente resultados concretos, transparência e obras que justifiquem a execução do orçamento público do município.
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