Representação no Ministério Público questiona duas nomeações de Tony Farias e pede investigação sobre possível acúmulo de cargos em Ilha Grande do Piauí - Portal do Águia - Portal de Noticias do Piauí

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29 de junho de 2026

Representação no Ministério Público questiona duas nomeações de Tony Farias e pede investigação sobre possível acúmulo de cargos em Ilha Grande do Piauí


Representação protocolada no Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) questiona duas nomeações de Antônio Defrísio Ramos Farias, conhecido como Tony Farias, e solicita a abertura de investigação para apurar possível acúmulo de cargos comissionados e eventual prejuízo aos cofres públicos.

De acordo com a representação, Tony Farias foi nomeado por meio de duas portarias assinadas pela prefeita Marina Brito para exercer dois cargos distintos na administração municipal de Ilha Grande do Piauí.
A primeira portaria, datada de 03 de janeiro de 2025, o nomeia para o cargo de Secretário Municipal de Administração e Fazenda. 
Já a segunda, publicada em 08 de janeiro de 2025, o designa para o cargo de Chefe do Departamento de Tesouraria, órgão vinculado à mesma secretaria.

Durante investigação realizada pelo jornalista Ernande Souza, foi feita consulta ao Diário Oficial dos Municípios, não sendo localizada qualquer portaria de exoneração referente a Tony Farias no início de 2026, tampouco nova nomeação que substituísse ou alterasse as publicadas em janeiro de 2025. Conforme o levantamento, permanecem vigentes apenas as duas portarias assinadas pela prefeita.

Segundo a representação, a manutenção dessas duas nomeações pode contrariar as normas que disciplinam a ocupação de cargos comissionados na administração pública. O documento também sustenta que, caso seja comprovado o recebimento de remuneração pelos dois cargos, poderão ser apuradas responsabilidades administrativas e civis, além da eventual obrigação de ressarcimento ao erário, caso assim venha a ser determinado pelo Poder Judiciário.

A reportagem do Portal do Águia também buscou consultar o Portal da Transparência do município para verificar a remuneração do agente público. No entanto, segundo a equipe de reportagem, não foi possível acessar essas informações devido a limitações do sistema. Esse aspecto deverá ser esclarecido pelos órgãos de controle durante a investigação.

A representação requer ainda que o Ministério Público avalie a adoção de medida cautelar para o afastamento temporário de Tony Farias durante as investigações, sob a justificativa de que sua permanência no cargo poderia, em tese, comprometer a produção de provas ou influenciar a apuração dos fatos.

Outro ponto abordado na representação envolve alegações de que Tony Farias estaria adotando medidas judiciais contra o jornalista Ernande Souza após a publicação de reportagens que tratam de supostas irregularidades na administração municipal.

O documento também menciona o advogado Mickael Brito de Farias, que, segundo a representação, foi exonerado em 31 de março de 2026 após recomendação expedida pelo Ministério Público. Posteriormente, a advogada Letícia Lima de Oliveira teria sido nomeada, em 9 de abril de 2026, para um cargo comissionado na mesma secretaria. A advogada também faz parte do escritório de advocacia do advogado Mickael Brito de Farias.

Ainda conforme o denunciante, serão protocoladas representações junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que sejam analisados as circunstâncias envolvendo a atuação dos advogados.
A representação afirma que Letícia Lima de Oliveira também atua em processos judiciais envolvendo Tony Farias e o jornalista, levantando questionamentos sobre um eventual conflito de interesses, uma vez que ela ocupa um cargo comissionado na mesma Secretaria em que Tony Farias exerce a função de secretário. As alegações, contudo, ainda não foram objeto de decisão judicial e deverão ser analisadas pelos órgãos competentes.

Até o fechamento desta matéria, os citados não haviam apresentado manifestação pública sobre o conteúdo da representação.

O caso encontra-se sob análise do Ministério Público do Estado do Piauí, que decidirá se instaurará procedimento investigatório, requisitará documentos, promoverá diligências ou adotará outras medidas previstas na legislação.


O Portal do Águia reafirma seu compromisso com a informação responsável e informa que o espaço permanece aberto para que todos os mencionados possam exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa, caso desejem apresentar esclarecimentos.

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