“Lavagem de roupa suja” na Câmara de Parnaíba: vereador denuncia suposto superfaturamento em compra de ar-condicionados na gestão Daniel Jackson - Portal do Águia - Portal de Noticias do Piauí

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7 de agosto de 2026

“Lavagem de roupa suja” na Câmara de Parnaíba: vereador denuncia suposto superfaturamento em compra de ar-condicionados na gestão Daniel Jackson

07/08/2026 07:02

Sessão que marcou a eleição da nova Mesa Diretora para o biênio 2027/2028 foi cercada por acusações de traição, articulações de bastidores e denúncias sobre supostas irregularidades na Câmara Municipal de Parnaíba
A eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Parnaíba, realizada na quinta-feira (07/08), terminou marcada por uma verdadeira “lavagem de roupa suja” entre vereadores, com acusações de articulação política de última hora, reuniões realizadas nos bastidores e denúncias sobre supostas irregularidades na administração da Casa Legislativa.
O episódio ganhou contornos ainda mais graves quando o vereador Maksuel Brandão decidiu utilizar a tribuna para afirmar que conhece o que estaria acontecendo dentro da Câmara e levantar questionamentos sobre uma suposta compra superfaturada de aparelhos de ar-condicionado para o Legislativo municipal.

A denúncia foi feita durante uma sessão que deveria ser destinada à escolha da nova Mesa Diretora para o biênio 2027/2028.

Segundo o parlamentar, haveria informações e situações dentro da Câmara que precisariam ser esclarecidas. Maksuel Brandão teria começado a detalhar os questionamentos relacionados à aquisição dos equipamentos, mas, durante sua manifestação, o microfone foi interrompido.

A situação chamou a atenção porque a transmissão da sessão pela internet registrou momentos em que vereadores contrários à forma como a eleição foi conduzida reclamaram da interrupção de suas falas.

A polêmica começou após a divulgação de um edital de convocação para a eleição da nova Mesa Diretora.

O vereador Batista do Cantanduvas teria formado uma chapa para disputar a Presidência da Câmara, mas posteriormente desistiu da candidatura. Segundo o relato apresentado durante a sessão, a desistência teria ocorrido porque não haveria mais tempo suficiente para buscar votos entre os demais parlamentares.

Com a retirada da chapa, apenas uma candidatura permaneceu na disputa: a chapa encabeçada pelo vereador Ronaldo Prado (Rede), eleito para presidir a Câmara Municipal no biênio 2027/2028.

A forma como o processo foi conduzido provocou revolta entre os vereadores Batista do Cantanduvas, Maksuel Brandão, Samara do Estêvão, Ruan Benício e Davi Soares.

Os parlamentares afirmaram que teriam sido surpreendidos pela convocação e classificaram o episódio como uma possível “traição” e “armação” política dentro do Legislativo.

Durante a discussão, os vereadores também afirmaram que teriam ocorrido reuniões entre integrantes do Legislativo e o prefeito de Parnaíba antes da publicação do edital.

Segundo os parlamentares, essas articulações teriam acontecido durante a noite e, posteriormente, o presidente da Câmara, Daniel Jackson, teria divulgado o edital na quarta-feira (6), com a eleição ocorrendo já na quinta-feira (7).

Para os vereadores que contestaram o processo, o intervalo entre a convocação e a votação teria sido insuficiente para uma disputa considerada democrática entre chapas.

As acusações, entretanto, ainda precisam ser esclarecidas pelos envolvidos.

Diante da controvérsia, uma ação judicial teria sido apresentada com pedido de suspensão da votação.

A Justiça, contudo, não interrompeu a sessão, permitindo que a eleição prosseguisse.

Ao mesmo tempo, conforme relatado na própria sessão, a magistrada teria determinado prazo de 10 dias para manifestação do presidente da Câmara, Daniel Jackson, a fim de esclarecer os fatos apresentados no pedido judicial, especialmente os questionamentos relacionados à forma e ao prazo de convocação da eleição.

A transmissão da sessão também acabou entrando no centro da polêmica.

Durante o acompanhamento da votação, foi possível observar momentos em que vereadores que questionavam a condução dos trabalhos reclamavam de interrupções em seus microfones.

Um dos momentos mais tensos ocorreu justamente quando o vereador Maksuel Brandão começou a abordar questões relacionadas aos aparelhos de ar-condicionado.

O episódio levantou questionamentos sobre a condução dos trabalhos pelo presidente Daniel Jackson e provocou críticas dos parlamentares que estavam contestando a forma como a sessão era conduzida.

A denúncia apresentada por Maksuel Brandão sobre uma suposta compra superfaturada de aparelhos de ar-condicionado é uma das questões que agora deverá ser esclarecida.

Até o momento, a acusação apresentada pelo vereador não representa, por si só, comprovação de superfaturamento. Para confirmar ou descartar a suspeita, será necessário analisar documentos como processo de compra, edital, pesquisa de preços, notas fiscais, quantidade dos equipamentos, valores unitários, empresas fornecedoras e pagamentos realizados pela Câmara.

Caso existam indícios concretos de sobrepreço ou outras irregularidades, os órgãos de controle poderão ser acionados para realizar uma apuração.

Durante sua manifestação, Maksuel Brandão também teria levantado questionamentos sobre a concessão de diárias ao vereador Ronaldo Prado, eleito novo presidente da Câmara.

Segundo a acusação apresentada pelo parlamentar, teriam sido concedidas diárias mesmo em situações nas quais o vereador não teria realizado as viagens correspondentes.

A afirmação também necessita de comprovação documental. Caso existam registros de pagamentos, será necessário verificar empenhos, liquidações, ordens de pagamento, autorizações, destinos, períodos e respectivos comprovantes de viagem.


Outro ponto que pode entrar no radar dos órgãos de fiscalização envolve as emendas impositivas nº 02/2023, nº 03/2023 e nº 07/2023, destinadas à realização do projeto “Cyberbullying nas Escolas”.

Segundo as informações apresentadas, o valor global destinado ao Centro Cultural Rei do Cangaço teria alcançado R$ 520.524,86.
O convênio teria sido assinado no último dia de 2024, com vigência prevista até 31 de março de 2025.

O projeto teria como objetivo desenvolver ações relacionadas ao combate ao cyberbullying nas escolas públicas de Parnaíba.

Entretanto, surgem questionamentos sobre a execução do projeto, especialmente em relação ao período de vigência, aos pagamentos realizados e à efetiva realização das atividades previstas no plano de trabalho.
De acordo com as informações apresentadas à reportagem, o grupo teria recebido pelo menos dois pagamentos:20 de junho de 2025: R$ 25.000,00;
31 de dezembro de 2025: R$ 290.000,00.

Os dois pagamentos totalizam R$ 315.000,00.
A diferença entre o valor global mencionado e os pagamentos informados também merece esclarecimento documental, inclusive quanto à existência de outros repasses, à execução financeira do projeto e à prestação de contas.

Outro ponto levantado envolve a própria representação administrativa do grupo cultural.

Segundo as informações fornecidas à reportagem, o plano de trabalho teria sido assinado pelo então presidente em exercício, Roniel Alexandre.

Entretanto, haveria divergência em relação às informações cadastrais disponíveis na Receita Federal, nas quais constaria Heloisa Andresa como responsável pela administração da entidade.

Além disso, conforme relatado, posteriormente o grupo teria anunciado Rafael Baluz como presidente.

A eventual mudança na direção da entidade, por si só, não caracteriza irregularidade, mas torna importante verificar quem possuía legitimidade para representar oficialmente o grupo em cada momento, especialmente na assinatura de documentos, recebimento de recursos públicos e prestação de contas.
Também existem questionamentos políticos sobre a relação do presidente da Câmara, Daniel Jackson, com o grupo cultural Rei do Cangaço.

Segundo relatos apresentados por vereadores e moradores, o parlamentar seria considerado um dos padrinhos ou principais apoiadores da quadrilha.

A existência de vínculo político ou cultural, contudo, não significa automaticamente irregularidade.

O ponto que precisa ser esclarecido é se houve algum conflito de interesses, favorecimento indevido ou utilização irregular de recursos públicos — questões que somente poderão ser confirmadas ou descartadas mediante análise dos documentos e da execução financeira do projeto.

Com as novas acusações apresentadas durante a sessão, o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) poderá ser provocado a analisar os fatos, caso sejam formalmente encaminhados ao órgão.

• a compra dos aparelhos de ar-condicionado;
• eventual diferença entre os preços pagos e os valores praticados no mercado;
• concessão e comprovação de diárias;
• processo de convocação da eleição da Mesa Diretora;
• reuniões e eventuais articulações políticas relacionadas à votação;
• aplicação das emendas impositivas;
• pagamentos realizados ao Centro Cultural Rei do Cangaço;
• execução e prestação de contas do projeto “Cyberbullying nas Escolas”;
• eventual existência de conflito de interesses ou favorecimento.

O que deveria ser apenas uma eleição para definir o comando da Câmara de Parnaíba para os próximos dois anos acabou expondo uma profunda divisão entre os parlamentares.

De um lado, a chapa única que acabou elegendo Ronaldo Prado (Rede). Do outro, vereadores que afirmam ter sido surpreendidos pela convocação e denunciam uma suposta articulação política realizada nos bastidores.

No meio da crise, surgiram acusações envolvendo compras públicas, diárias, emendas impositivas e recursos destinados a entidade cultural.

Agora, resta saber se as acusações apresentadas na tribuna ficarão apenas no campo político ou se serão transformadas em procedimentos formais de investigação pelos órgãos de controle.

A reportagem ressalta que as acusações de superfaturamento, irregularidades na concessão de diárias, eventual desvio de recursos ou qualquer outra prática ilícita não estão sendo apresentadas como fatos comprovados, mas como denúncias e questionamentos que dependem de documentação, contraditório e investigação dos órgãos competentes.

O espaço permanece aberto para manifestação do presidente da Câmara, Daniel Jackson, dos vereadores citados, do Centro Cultural Rei do Cangaço e dos demais envolvidos, caso queiram apresentar esclarecimentos ou documentos sobre os fatos.

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