Documento aponta que Ciro Eduardo da Silva Cunha, que prestou depoimento em processos envolvendo o secretário Tony Farias, foi contratado para atuar na Banda Municipal de Ilha Grande. Valor passou de R$ 26,7 mil para R$ 39 mil em um ano.
A contratação de um prestador de serviços pela Prefeitura de Ilha Grande, no litoral do Piauí, passou a chamar a atenção durante uma apuração realizada pelo Portal do Águia. O caso envolve o contrato firmado com Ciro Eduardo da Silva Cunha, pessoa que também aparece como testemunha em processos judiciais relacionados ao secretário municipal de Administração e Fazenda, Antônio Defrísio Ramos Farias, conhecido como Tony Farias.
De acordo com os documentos apresentados à reportagem, Ciro Eduardo da Silva Cunha foi contratado para prestar serviços de coordenação, instrução geral, ensaios e manutenção da Banda Municipal de Ilha Grande.
O novo contrato, assinado em 4 de setembro de 2026, estabelece o valor global de R$ 39.006,66, com vigência de 12 meses, até setembro de 2027.
O contrato foi publicado no Diário Oficial dos Municípios em 17 de setembro de 2026, 13 dias após a assinatura. A contratação também ocorreu apenas dois dias antes da apresentação da banda no desfile realizado em 6 de setembro.
A documentação analisada pela reportagem indica que, em 2025, Ciro Eduardo da Silva Cunha havia firmado contrato no valor de R$ 26.731,08.
Na contratação de 2026, o valor passou para R$ 39.006,66.
A diferença é de R$ 12.275,58, correspondente a um aumento de aproximadamente 45,93% em relação ao valor anterior.
A elevação do valor, somada à relação de Ciro com processos judiciais envolvendo o secretário responsável pela pasta de Administração e Fazenda, é um dos pontos que o Portal do Águia pretende encaminhar para análise dos órgãos de controle.
Segundo informações apresentadas à reportagem, Ciro Eduardo da Silva Cunha teria afirmado durante audiência judicial que conhecia Tony Farias apenas de vista, por encontrá-lo pelas ruas do município.
A defesa do jornalista Ernande Souza, do Portal do Águia, sustenta, entretanto, que existem elementos que precisam ser esclarecidos, especialmente diante da contratação de Ciro pela Prefeitura de Ilha Grande.
A defesa teria apresentado petição nos autos solicitando a análise dos depoimentos e a investigação da conduta das pessoas envolvidas, diante da suspeita de eventual fraude processual.
O caso também teria sido levado ao Ministério Público para análise.
A reportagem também apura o depoimento de Lucas Rodrigues de Oliveira, apontado como outra testemunha nos processos.
Segundo os documentos mencionados pela defesa, Lucas teria declarado em audiência não possuir vínculo relevante com Tony Farias.
Posteriormente, a apuração jornalística teria identificado uma relação familiar anterior: Lucas teria sido casado com uma irmã do secretário.
A documentação citada pela reportagem aponta para um divórcio registrado em julho de 2026.
A defesa do jornalista Ernande Souza afirma ter solicitado ao Judiciário que os depoimentos sejam analisados e que os fatos sejam encaminhados para investigação criminal, caso existam elementos suficientes para apurar eventual prática de fraude processual.
Pedido semelhante teria sido apresentado pela defesa da professora Maria José, também envolvida em processo judicial atribuído a Tony Farias, no qual aparecem os mesmos nomes de testemunhas.
Segundo as informações apresentadas à reportagem, as defesas sustentam que os depoimentos precisam ser confrontados com documentos e demais elementos existentes nos autos.
Outro ponto levantado pelo Portal do Águia diz respeito à própria Banda Municipal de Ilha Grande.
Segundo informações recebidas pela reportagem, a banda é vinculada ao município, utiliza instrumentos adquiridos com recursos públicos e teria entre seus integrantes estudantes da rede municipal de ensino.
Moradores também relatam que a banda realiza apresentações em determinadas datas comemorativas e eventos oficiais.
A contratação de Ciro Eduardo prevê serviços de coordenação, instrução geral, ensaios e manutenção da Banda Municipal, pelo período de 12 meses.
O Portal do Águia encaminhará os documentos aos órgãos competentes para que seja analisada a regularidade da contratação, a justificativa para o aumento de aproximadamente 45,93% e a compatibilidade dos serviços contratados com a estrutura e o funcionamento da banda.
A Secretaria Municipal de Administração e Fazenda de Ilha Grande é comandada por Antônio Defrísio Ramos Farias, o Tony Farias, responsável pela pasta.
É justamente a participação do secretário na administração municipal, aliada à relação processual envolvendo Ciro Eduardo, que levou a reportagem a levantar questionamentos sobre a contratação e encaminhar os documentos para análise.
Antes da publicação desta reportagem, o Portal do Águia encaminhou pedido de esclarecimento à Prefeitura Municipal de Ilha Grande, por meio do endereço eletrônico pmigilhagrande@gmail.com, solicitando manifestação sobre os fatos relacionados à contratação de Ciro Eduardo da Silva Cunha e, especificamente, sobre a participação do secretário Antônio Defrísio Ramos Farias.
Até o fechamento desta matéria, não havia sido enviado retorno à reportagem.
Caso a Prefeitura encaminhe esclarecimentos posteriormente, o Portal do Águia poderá atualizar a matéria com as informações pertinentes aos fatos aqui narrados.
Diante dos documentos apresentados, permanecem questões que poderão ser esclarecidas pelos órgãos de controle: Qual foi a modalidade jurídica utilizada para a contratação de Ciro Eduardo?
Qual foi a justificativa para a contratação?
Qual a justificativa técnica para o aumento de R$ 12.275,58 no valor anual?
Como foi calculado o reajuste de 45,93%?
Qual foi a data efetiva da publicação do contrato?
Por que o contrato foi assinado em 4 de setembro e publicado em 17 de setembro?
Quais serviços foram efetivamente prestados?
Quantas apresentações, ensaios e atividades estão previstas no contrato?
Existe documentação comprovando a execução dos serviços?
Há relação entre a contratação e a participação de Ciro como testemunha nos processos judiciais?
A reportagem continuará acompanhando o caso e eventuais procedimentos instaurados pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) e demais órgãos de controle.
Outro lado
O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura Municipal de Ilha Grande, do secretário Antônio Defrísio Ramos Farias, de Ciro Eduardo da Silva Cunha, de Lucas Rodrigues de Oliveira, das demais pessoas citadas e de seus respectivos advogados.
Todos os direitos de resposta serão assegurados, desde que as manifestações estejam relacionadas aos fatos e informações efetivamente narrados nesta reportagem.
As respostas encaminhadas ao Portal do Águia serão submetidas à análise da equipe editorial, que avaliará sua pertinência e relação com o conteúdo publicado, preservando o direito de manifestação dos citados e os princípios jornalísticos de informação, contraditório e responsabilidade na divulgação dos fatos.


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