CAXINGÓ: Contrato de R$ 132 mil com escritório de advocacia levanta questionamentos sobre atuação de procurador municipal em processo contra jornalista - Portal do Águia - Portal de Noticias do Piauí

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9 de outubro de 2026

CAXINGÓ: Contrato de R$ 132 mil com escritório de advocacia levanta questionamentos sobre atuação de procurador municipal em processo contra jornalista

Jornalista investigativo Ernande Souza encaminhará informações ao Ministério Público para apurar possível conflito de interesses, eventual desvio de finalidade e a origem dos honorários advocatícios pagos em ação movida por namorado da secretária municipal Silmara Cristina Cardoso dos Santos.
Uma situação que supostamente envolve contratos públicos de advocacia, a estrutura jurídica da Prefeitura de Caxingó e um processo judicial movido contra o jornalista investigativo Ernande Souza está levantando questionamentos que serão encaminhados ao Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) para análise e possível apuração dos fatos.


O caso envolve a secretária municipal de Administração, Silmara Cristina Cardoso dos Santos, irmã do prefeito Magnum Cardoso, o advogado Antonio José Lima e Antonio Gilberto de Brito, apontado como namorado da secretária e autor de uma ação judicial contra o jornalista.

Durante o trabalho de investigação sobre contratos públicos vinculados à gestão municipal, Ernande Souza identificou que o advogado que atua no processo contra jornalista também possui vínculos contratuais com o município de Caxingó e foi nomeado para exercer o cargo comissionado de procurador-geral do município.

A principal questão a ser esclarecida é se existe eventual conflito de interesses ou utilização indevida da estrutura jurídica municipal para atender a interesses particulares.
Documentos contratuais identificam a empresa Antonio Lima Sociedade Individual de Advocacia, de propriedade do advogado Antonio José Lima, como contratada pela Prefeitura de Caxingó.

O Contrato nº 04.001/2025, no valor de R$ 132 mil, foi assinado em 10 de janeiro de 2025, pela então responsável pela pasta, Silmara Cristina Cardoso dos Santos, com vigência prevista até 10 de janeiro de 2026.

O objeto envolve serviços de assessoria jurídica, acompanhamento processual e elaboração de peças judiciais e recursos, entre outras atividades relacionadas à representação jurídica do município.

A investigação jornalística busca esclarecer quais serviços foram efetivamente prestados, quanto foi pago à empresa e se houve pagamentos durante o período em que o titular também exerceu função comissionada na Procuradoria-Geral do Município.
Advogado foi nomeado procurador-geral do município

Outro ponto que chama a atenção é a nomeação de Antonio José Lima para o cargo de procurador-geral do município de Caxingó.

Segundo as informações levantadas, a nomeação ocorreu por meio de portaria assinada pelo prefeito Magnum Cardoso em 15 de janeiro de 2025, apenas cinco dias depois da assinatura do contrato de assessoria jurídica celebrado entre a prefeitura e a empresa do advogado.

A coincidência entre os períodos contratuais e o exercício do cargo público levanta dúvidas sobre a natureza dos pagamentos realizados e a compatibilidade entre os vínculos.

O caso exige a análise da legislação aplicável, do regime de contratação, das atribuições do cargo e dos registros financeiros da prefeitura.

A investigação deverá esclarecer se a empresa recebeu valores referentes ao contrato enquanto Antonio José Lima também recebia remuneração pelo cargo de procurador-geral, bem como se os pagamentos eram legalmente compatíveis com a situação funcional.

O ponto central da apuração está na atuação de Antonio José Lima como advogado de Antonio Gilberto de Brito em um processo movido contra o jornalista Ernande Souza.

Segundo as informações reunidas pelo jornalista, Antonio Gilberto de Brito seria namorado da secretária Silmara Cristina Cardoso dos Santos e ocuparia um cargo público na Câmara Municipal de Cocal dos Alves, com remuneração informada de R$ 1.500 mensais.

A situação levanta uma pergunta: quem está pagando os honorários do advogado responsável pela ação judicial?

O jornalista pretende solicitar que o Ministério Público apure se a contratação ocorreu de forma estritamente particular, com recursos privados, ou se existe alguma participação financeira, administrativa ou institucional do município.

Também deverá ser esclarecido se a atuação do advogado no processo particular possui alguma relação com as funções exercidas na Procuradoria-Geral de Caxingó.

Até o momento, as informações apresentadas não comprovam que a prefeitura esteja pagando os honorários da ação, nem que o advogado tenha utilizado recursos ou a estrutura pública em benefício particular. Esses pontos dependem de investigação documental.

O levantamento realizado pelo jornalista também identificou contratos registrados em 2026 entre a Antonio Lima Sociedade Individual de Advocacia e câmaras municipais de diferentes cidades piauienses.

Órgão público                              Contrato            Valor registrado                        
Câmara Municipal de Caxingó       002/2026           R$71.500,00
Câmara Municipal de Parnaíba       004/2026           R$300.000,00
Câmara Municipal de Ilha Grande  001/2026      R$ 96.000,00
Câmara Municipal de Bom Princípio do Piauí 02.01/2026 R$ 132.000,00

Outro elemento que integra o levantamento jornalístico é o Inquérito Civil Público nº 021/2026, atribuído ao Ministério Público do Estado do Piauí, por meio da Promotoria de Justiça de Buriti dos Lopes.

Conforme informações anteriormente divulgadas, o procedimento apura possíveis irregularidades relacionadas à contratação simultânea de três escritórios de advocacia pela Câmara Municipal de Caxingó.

A empresa Antonio Lima Sociedade Individual de Advocacia aparece entre as contratadas mencionadas no contexto da apuração.

O jornalista também relata ter recebido informações sobre uma possível representação apresentada por vereadores de oposição de Bom Princípio do Piauí envolvendo a contratação do escritório pela Câmara Municipal e a suposta atuação do advogado em processos contra parlamentares da oposição.

Diante dos elementos levantados, Ernande Souza pretende encaminhar ao Ministério Público informações e documentos para que sejam examinados os seguintes pontos:

A compatibilidade entre o contrato de assessoria jurídica da empresa e o exercício do cargo de procurador-geral do município.

Os valores efetivamente pagos à sociedade de advocacia e a remuneração recebida pelo advogado como agente público.

A origem dos honorários pagos pela atuação no processo movido por Antonio Gilberto de Brito contra o jornalista.

A existência de eventual conflito de interesses ou desvio de finalidade no exercício da função pública.

A possível utilização de recursos, pessoal ou estrutura administrativa do município em benefício de interesses particulares.

A regularidade dos contratos públicos identificados e a efetiva prestação dos serviços previstos.

O Portal do Águia continuará acompanhando o assunto e buscando esclarecimentos sobre os contratos públicos e a atuação profissional do advogado.

A reportagem deixa registrado o espaço para manifestação da secretária Silmara Cristina Cardoso dos Santos, do prefeito Magnum Cardoso, do advogado Antonio José Lima, de Antonio Gilberto de Brito, da Prefeitura de Caxingó e das câmaras municipais citadas.

O objetivo é esclarecer os fatos de interesse público, preservar o direito de resposta e permitir que os órgãos competentes avaliem eventuais responsabilidades, sem antecipar conclusões antes da apuração oficial.

Obsevação

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