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18 de setembro de 2026

MPPI converte apuração em Inquérito Civil para investigar contratação de três escritórios de advocacia pela Câmara de Caxingó

Despacho aponta possível sobreposição de serviços, ausência de documentos nos processos de inexigibilidade e inconsistências formais em contratos; valores globais informados nos contratos de 2026 chegam a R$ 121,9 mil
Foto: Vereador e presidente da Câmara / Reginaldo Silva
O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) determinou a conversão de uma Notícia de Fato em Inquérito Civil para aprofundar a apuração sobre a contratação, por inexigibilidade de licitação, de três escritórios de advocacia pela Câmara Municipal de Caxingó, no norte do Piauí.

A investigação teve origem em uma representação apresentada pelo vereador João de Deus Lima, que questionou a contratação simultânea dos três escritórios pelo Poder Legislativo municipal.

O despacho foi assinado digitalmente em 16 de setembro de 2026, pelo promotor de Justiça Adriano Fontenele Santos.
Três escritórios foram contratados

De acordo com os documentos analisados pelo Ministério Público, a Câmara de Caxingó celebrou três contratos para prestação de serviços advocatícios.

O Contrato Administrativo nº 007/2025 – INXG, firmado com Christoffel & Carvalho Sociedade de Advogados, prevê pagamento mensal de R$ 6.500,00.

Já o Contrato nº 001/2026 – INXG, celebrado com Bruna Ohana Sociedade Individual de Advocacia, estabelece pagamento mensal de R$ 4.200,00, com valor global informado de R$ 50.400,00.

O terceiro ajuste, Contrato nº 002/2026 – INXG, foi firmado com Antonio Lima Sociedade Individual de Advocacia, pelo valor mensal de R$ 6.500,00 e valor global de R$ 71.500,00.

Somente os dois contratos de 2026 possuem, no despacho, valores globais expressamente informados, que juntos chegam a R$ 121.900,00.

Além desses valores, o Ministério Público registrou um comprovante de pagamento de R$ 6.500,00 à Christoffel & Carvalho Sociedade de Advogados, realizado em 20 de março de 2026, referente ao contrato de 2025.

O documento analisado não apresenta, no trecho citado, o valor global total do contrato nº 007/2025.
MP aponta possível sobreposição dos serviços

Segundo o despacho, os contratos apresentam objetos formalmente diferentes. Entretanto, o Ministério Público identificou uma possível sobreposição entre os serviços contratados.

O contrato firmado com a Christoffel & Carvalho Sociedade de Advogados possui objeto amplo, envolvendo assessoria e consultoria em gestão pública e administrativa, além do patrocínio de causas administrativas e judiciais.

Para o Ministério Público, essa abrangência pode indicar possível sobreposição com os serviços atribuídos aos outros dois escritórios contratados pela Câmara.

O despacho ressalta, porém, que a contratação direta de serviços advocatícios não é, isoladamente, ilícita.

No caso analisado, o MPPI considera necessário verificar o cumprimento dos requisitos aplicáveis à contratação por inexigibilidade, incluindo a formalização do procedimento administrativo, a notória especialização dos contratados, a natureza singular dos serviços, a inadequação da execução pela estrutura jurídica própria do Poder Legislativo e a compatibilidade dos preços.
Documentos ainda não foram apresentados integralmente

Um dos principais pontos destacados pelo Ministério Público é a ausência, nos autos analisados até o momento, de documentação suficiente para esclarecer a regularidade das contratações.

Entre os documentos e informações que ainda precisam ser analisados estão:os processos administrativos completos das inexigibilidades;
a demonstração da singularidade concreta dos serviços;
a comprovação da notória especialização de cada escritório;
a justificativa para a contratação simultânea dos três escritórios;
a análise da capacidade da estrutura jurídica própria da Câmara;
a pesquisa de compatibilidade dos preços; e
documentos suficientes sobre a efetiva execução dos serviços.

O MPPI também identificou inconsistências formais na documentação.

Uma delas envolve a indicação de CNPJs distintos para a contratada no Contrato nº 007/2025 – INXG.

Outra inconsistência apontada está em um termo aditivo que registra a vigência contratual até “31 de setembro de 2026”, data que não existe no calendário.
Investigação vai apurar eventual dano ao erário

Diante dos elementos encontrados, o promotor considerou necessário aprofundar a apuração.

O novo Inquérito Civil deverá investigar a regularidade das inexigibilidades e da execução dos três contratos, incluindo a necessidade das contratações simultâneas, eventual sobreposição dos objetos, efetiva prestação dos serviços, compatibilidade dos preços e eventual ocorrência de dano ao erário.

A decisão deixa claro que a conversão da Notícia de Fato em Inquérito Civil não significa conclusão de que houve irregularidade, ilícito ou responsabilidade dos envolvidos. A finalidade é justamente reunir documentos e informações para verificar a regularidade das contratações.
Próximos passos

A Notícia de Fato foi recebida pelo Ministério Público em 7 de agosto de 2026. O despacho registra que o prazo inicial de 30 dias terminou em 6 de setembro de 2026.

Com a conversão, deverá ser elaborada uma portaria própria de instauração do Inquérito Civil, que posteriormente será submetida à apreciação do promotor.

A investigação deverá esclarecer, entre outros pontos, por que a Câmara Municipal de Caxingó manteve três escritórios de advocacia contratados simultaneamente, quais serviços foram efetivamente prestados, se houve sobreposição de atividades e se os valores pagos são compatíveis com os serviços realizados.

Até o momento, conforme o despacho analisado, não há conclusão do Ministério Público pela existência de ilícito ou dano ao patrimônio público. A apuração segue em fase de investigação.
Câmara foi procurada

OUTRO LADO

A reportagem encaminhou um pedido de esclarecimentos ao e-mail institucional da Câmara Municipal de Caxingó, camara@caxingo.pi.leg.br, solicitando manifestação sobre os contratos e os questionamentos apresentados pelo Ministério Público.

Até o fechamento desta matéria, não havia sido encaminhada resposta à reportagem.

O vereador Reginaldo Silva, presidente da Câmara Municipal de Caxingó, poderá apresentar esclarecimentos sobre as contratações e os pontos levantados no procedimento do Ministério Público.

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